Suicídio na adolescência

Você se lembra dos episódios de suicídio?

Tempo de leitura estimado: 5 minutos.

A adolescência é um período conturbado, marcado por sentimentos confusos e emoções intensas.

Todos nós já passamos por essa fase, e ainda que tenha sido relativamente tranquila, e que não tenha deixado marcas severas, muitos conflitos foram enfrentados.

A fragilidade emocional do adolescente resulta do repertório limitado de experiências de vida, do pouco discernimento para tomada de decisões, somado ao sentimento de urgência, de agora ou nunca, onde qualquer acontecimento ou sensação toma proporções grandiosas. Isso tudo regado à tensão e ansiedade.

Em meio a esse mar revolto, o adolescente ainda tem que lidar com as cobranças e críticas dos pais, professores e da sociedade num todo. É óbvio que os jovens precisam de orientação quanto aos seus deveres, mas o posicionamento dos adultos nem sempre é de direcionamento, e sim de julgamento.

Se considerarmos questões como bullying, cyberbullying, identidade de gênero, violência, assédio, e outras mais, veremos que a sociedade contemporânea impõe ainda mais conflitos ao adolescente.

É nesse cenário que se configura a vulnerabilidade psíquica do adolescente, e sua busca por apoio, aceitação e pertencimento. E, por vezes, o ambiente social, escolar e, especialmente, o ambiente familiar não suprem suas carências e necessidades.

Suicídio na adolescência

O suicídio é um problema que assola todas as gerações. Aqui damos enfoque ao suicídio na adolescência, que vem sendo um assunto muito debatido, atualmente.

Os números são preocupantes, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde, coletados em 2012, o suicídio é a segunda maior causa de morte entre os jovens, superando o número de óbitos por HIV e violência. Somente acidentes de trânsito provocam mais vítimas. Para mais informações sobre estatísticas de suicídio entre os jovens, acesse o site da BBC.

Alguns fatores são influenciadores da ideação suicida entre adolescentes, são eles:

  •         Depressão e outros transtornos mentais;
  •         Problemas associados ao uso de álcool e de outras substâncias químicas;
  •         Abuso físico ou sexual;
  •         Exposição à violência, no ambiente familiar;
  •         Histórico de abandono, perdas ou outros eventos traumáticos;
  •         Sentimento de solidão e isolamento social;
  •         Histórico de suicídio, ou de doenças mentais, na família;
  •         Problemas sociais, como pobreza e falta de suporte;
  •         Dificuldades decorrentes da orientação sexual, como falta de aceitação da família e homofobia;
  •         Bullying;
  •         Decepções amorosas;
  •         Baixa autoestima, problemas de autoimagem, e demais dificuldades relacionadas ao autoconceito;
  •         Baixa tolerância à frustração e pouco repertório para enfrentamento de conflitos.

Cada um desses fatores, em separado, não indica alto risco de suicídio, mas seus efeitos tendem a intensificar a fragilidade do adolescente e sua ideação suicida. Um estudo mais aprofundado, sobre os fatores de risco do suicídio na adolescência, é encontrado clicando aqui.

 

O jogo da Baleia Azul

Recentemente, espalhou-se, com velocidade espantosa, um fenômeno virtual chamado de Jogo da Baleia Azul.

O jogo envolveria a relação entre os participantes e os curadores, responsáveis por determinar uma série de desafios, incluindo: assistir filmes de terror de madrugada, se equilibrar em um telhado, escutar músicas psicodélicas, automutilação (comprovada por fotos) e, por fim, tirar a própria vida.

Investigações ainda estão em andamento, mas existem suspeitas de que várias mortes estariam associadas ao Jogo da Baleia Azul.

O que todos se perguntam é: o que leva esses jovens a participarem desse jogo?

A resposta pode estar na conexão criada entre os participantes, no sentimento de pertencimento e reconhecimento no grupo, na constatação de que existem outras pessoas com visões semelhantes e, finalmente, no acolhimento que pode ter faltado em outro ambiente.

 

13 Reasons Why

Outro fenômeno que, rapidamente, ganhou seguidores nos últimos meses foi a série 13 Reasons Why, exibida pela Netflix.

A série aborda o suicídio na adolescência, retratando a vida de uma jovem e todos os acontecimentos, e pessoas, que, direta ou indiretamente, contribuíram para a sua decisão de tirar a própria vida. Através de gravações em fitas cassete, Hannah, a personagem principal, revela 13 razões que a levaram ao suicídio, confira o trailer da série abaixo.

 

Apesar de conquistar um grande público e chamar a atenção para o problema do suicídio na adolescência, alguns psiquiatras alertam sobre os efeitos negativos da série sobre as mentes já fragilizadas dos jovens.

Alguns desses pontos negativos indicam:

  •         Ideia de autoextermínio como vingança, para despertar o sentimento de culpa em outras pessoas;
  •         Culpabilização coletiva, ou seja, atribuir às outras pessoas a responsabilidade pela própria morte;
  •          “Romantização” do suicídio, em detrimento da importância do acompanhamento profissional.

Efeito Werther

O jogo da Baleia Azul e a série 13 Reasons Why podem ter desencadeado, entre os adolescentes, o chamado Efeito Werther. Trata-se de um termo científico que pressupõe a ocorrência de determinados acontecimentos como consequência da publicidade de um fato semelhante.

De acordo com o conceito de efeito Werther, epidemias de suicídio estariam vinculadas à imitação, visto assim, as mortes seriam estimuladas por outros casos da mesma natureza.

Ao contrário do que muitos julgam, os conflitos da adolescência não são frescura, e não devem ser tratados como tal.

É responsabilidade dos pais, professores, e de toda a sociedade, prestar atenção aos sinais que são dados pelos jovens, de que algo não está bem, de que algumas lacunas precisam ser preenchidas.

A maior prevenção de suicídio na adolescência ainda é a compreensão, o acolhimento, o diálogo e, principalmente, o amor.

Ana Paula

Ana Paula

Utilizo da minha formação de mais de 20 anos e de minha prática clínica para ajudar pessoas que estão em sofrimento ou que precisam de alguma ajuda emocional.

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