Sites e apps de relacionamento

Relacionamento por aplicativos digitais

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No dia 9 de janeiro de 2017, faleceu no Reino Unido, aos 91 anos, um dos maiores filósofos e sociólogos da atualidade, o polonês Zygmunt Bauman.

Entre seus estudos, sua teoria mais conhecida é “modernidade líquida”. Bauman utilizou esse termo para nomear de maneira ideológica a pós-modernidade, o momento atual. Segundo o teórico, as múltiplas evoluções contemporâneas, principalmente, advindas com a globalização tornaram nossas relações, metaforicamente, líquidas, fluidas e não estáveis.

Além disso, conforme os ensinamentos dele ainda, a agilidade e a rapidez que adquirimos para nós conectar hoje em dia é o propulsor para simplificar as transformações sociais. Somos capazes de realizar uma revolução e mudar completamente a ordem, os paradigmas e os costumes vigente sem dificuldades.

Para Bauman, a maioria das pessoas não se unem mais por laços como antes, agora nossas uniões são garantidas pelas redes. E, por causa da fragilidade dessas conexões, perdemos alguns sentimentos, como de confiança, estabilidade e segurança. Isto é, a facilidade com que conseguimos fazer e desfazer amizades pelas mídias sociais na internet refletem o pessimismo social.

Nos famosos aplicativos de relacionamento, por exemplo, relatando apenas nome, idade, e-mail, e sexo, já é possível se cadastrar, conhecer outras pessoas e marcar encontros, sem qualquer confirmação das informações ou garantia de veracidade. O que reafirma a teoria de Bauman, afinal, estamos sujeitos a qualquer momento ser surpreendido e desapontado por algum perfil falso.

Ainda assim, será possível fazer amigos de verdade usando aplicativos online?

Uma jornalista britânica do BBC decidiu responder a essa pergunta na prática. Durante três dias, ela usou uma dessas ferramentas com o intuito de fazer amizades. Nesse período, apenas uma menina correspondeu ao interesse dela. Em menos de  uma hora e meia, as duas já haviam marcado um encontro.

A jornalista concluiu que achou interessante a facilidade com que se é possível marcar com alguém para tomar um café, porém completou dizendo que só faria isso novamente, caso conhecesse uma pessoa muito interessante no app.

Apps digitais via Giphy
Apps digitais via Giphy

Por meio da experiência da jornalista, podemos reiterar a veracidade dos conhecimentos de Zygmunt Bauman para nossa sociedade contemporânea. Em contrapartida, uma outra rede social prova, totalmente, o contrário.

Essa plataforma é o Couchsurfing. Afinal, o que é couchsurfing? É um site que une pessoas que gostam de viajar por todo mundo gastando pouco. Os usuários podem tanto fornecer um abrigo à quem está viajando para sua cidade. Do mesmo modo que abrigar-se na casa de outras pessoas.

O surfing no sofá, dessa maneira, retoma costumes sociais já abandonados, como solidariedade, altruísmo e companheirismo. Mas, claro, deve-se atentar e buscar muitas informações sobre a pessoa que procura receber ou pedir hospedagem, tanto por causa das diferenças culturais, como a exposição constante ao medo causado pela modernidade líquida, esclarecida por Bauman.

Happn também é outro aplicativo muito interessante. Por meio do GPS de seu smartphone, o aplicativo rastreia todas as pessoas que cruzaram seu caminho em um determinado período. Ou seja, até mesmo para aquele velho sentimento de que você teria se apaixonado pela pessoa da sua vida no metrô e nunca mais a encontraria acabou com a invenção desse aplicativo.

Não podemos nos esquecer do Tinder. O aplicativo de relacionamentos que se tornou tendência em mais de 196 países. O Tinder funciona da seguinte maneira: as pessoas cadastradas receberam diversos perfis de usuários que estão até uma certa distância estipulada. De acordo com a foto de perfil e algumas poucas informações, é possível curtir ou não curtir aquela pessoa. Caso ambas se gostem, elas serão redirecionadas para um bate-papo privado.

O interessante de tudo isso, é que o perfil desses usuários, é bastante diversificado. Não há um único tipo de pessoa, então além de pessoas parecidas com você, poderá encontrar também metaleiros, rockeiros, cristãos, ateus e até mesmo góticos. Um pouco de cada tribo. Contribuindo dessa forma, para diferentes possibilidades de relacionamentos, se você está interessado em variar um pouco.

O que as pessoas mais procuram nesses aplicativos e site de relacionamentos?

Segundo uma reportagem publicada pela coluna Emais do jornal Estadão, as plataformas que facilitam encontros e a conquistas, colaboram para uma suposta cultura do “ficar”. Há quem afirme que esse costume se perpetuem, principalmente, entre os jovens e solteiros.

No entanto, a American Psychological Association (APA) relata em uma publicação que os ficantes já existem desde a década de 1920. A invenção dos carros e dos cinemas, segundo o estudo, foram o propulsor para os namoros casuais.

A liberdade feminina também deve ser ressaltada nessa situação. Por muito tempo, as mulheres eram estigmas e mal vistas quando não possuíam relacionamentos duradouros e ficavam por casadas por muito tempo. Hoje, graças a primavera feminista, a percepção social foi parcialmente transformada e as mulheres já possuem o merecido domínio sobre seu corpo para namorar.

A internet, dessa maneira, é uma ambiente muito diverso que está hábil a receber todas essas pessoas. De todas as idades, gêneros, cor, nacionalidade e orientação social, existem sites e aplicativos que abrangem todos os gostos, desejos e finalidades.

DICA DE SEGURANÇA!

Uma ótima instrução para quem pretende ou está utilizando algum aplicativo de relacionamento: lembre-se sempre que do outro lado há uma pessoa. Não se esqueça, então, de utilizar os aplicativos com cautela, moderação e sinceridade. A eficiência dessas ferramentas pode ser afetada por isso e pelos motivos pelos quais você procura a outra pessoa.

Então, quando tiver um encontro, busque sempre marcar em locais públicos como shopping, restaurantes, cinemas ou praças movimentadas. Não é bom arriscar sua segurança por conta de um aplicativo, não é mesmo? Peça também para alguém ir contigo, um amigo ou amiga, para que fique por perto, caso você precise de alguma ajuda.

Não há nada de errado em procurar ajuda por meio desses aplicativos, mas tome cuidado para que essa não seja a sua única opção em relacionamentos. Não afunde sua vida social e não confunda ela com a vida no meio digital construído pela internet.

Ana Paula

Ana Paula

Psicóloga há mais de 20 anos

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