Mulher contemporânea

O papel da mulher em pauta

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O projeto de lei 5069/2013 proposto pelo ex-presidente da câmara dos deputados, Eduardo Cunha, que altera a obrigatoriedade de certas práticas durante o atendimento de à vítimas de violência sexual desencadeou inúmeros movimentos sociais no Brasil. Em locais públicos ou na internet, a então primavera feminista, como ficou conhecido a manifestação popular, reassumiu o valor de se questionar o papel da mulher da sociedade e como sua posição social e seu destino são impostos. Será mesmo justo uma câmara composta por 90% de homens decidir pelo corpo feminino?

É explícito a ocupação feminina no mercado de trabalho. Foram séculos de lutas para conseguir atingir patamares, até então, compostos apenas por homens. No Brasil, por exemplo, apenas em 1932 o voto feminino foi garantido. Apenas em 2011, tivemos a primeira presidenta mulher. Ou seja, mesmo persistindo a desigualdade de gênero, percebe-se grande mudanças no papel social da mulher.

No entanto, essas mudanças aconteceram e estão a acontecer de modo pungente e agonizante. Partindo do pressuposto fundamentado pela lei de que todos os seres humanos possuem os mesmos direitos e deveres, a realidade feminina é, praticamente, inadmissível. Mesmo com mais e melhor formação acadêmica, pesquisas revelam que as mulheres ganham menos que os homens nas mesmas funções. Além disso, não podemos nos esquecer que, após toda essa jornada de estudos e trabalho, elas ainda fazem atividades doméstica que, incrivelmente, são destinadas como obrigação do gênero.

Enfrentar e resistir às imposições sociais destinadas ao gênero feminino não são tarefas fáceis. Desde criança somos educados que existem uma suposta hierarquia entre os sexos. Enquanto meninos brincam com robôs, carros, caminhões, as meninas brincam com brinquedos que representam utensílios de cozinha e o cuidado com bebês. Isto é: já nos é determinado que os trabalhos domésticos e a criação dos filhos são tarefas das mulheres.

Além de tudo isso, deve-se estar sempre linda. A aparência feminina é vista como uma descrição de sua personalidade e até mesmo de seu caráter. Fugir, desses padrões, é inaceitável. Afinal, não basta estudar, trabalhar, cuidar da casa e educar os filhos, tem que estar linda.

Realmente, afirmar que a desigualdade de gênero não é eminente em nosso país é menosprezar e reafirmar estereótipos, preconceitos e opressões contra a mulher.  Pode até parecer ilusório, mas derrotar esse problema social é possível. A união e a luta sem padecer são nossas aliadas.

Mudar hábitos e costumes são princípio fundamental para mudança. Devemos abandonar as restrições impostas a nós. Usar a roupa que nos faz confortável, fazer quem sujou limpar, educar nossos filhos meninos de que eles devem respeitar e valorizar suas amiguinhas, assim como fazem com os amiguinhos, educar nossas filhas de que elas não vão se restringir a brincar com brinquedos que lembram aparelhos domésticos, acabar com relacionamento abusivo. Enfim, ser feliz da forma como você é, você é muito mais que as dicas de mulher. Como canta Beyonce na música Survivor, “Eu sou uma sobrevivente. Eu não vou desistir. Eu não vou parar”.

Ana Paula

Ana Paula

Utilizo da minha formação de mais de 20 anos e de minha prática clínica para ajudar pessoas que estão em sofrimento ou que precisam de alguma ajuda emocional.

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