CRISPR e o Futuro da Edição Genética

A Edição genética é um dos temas preferidos da ficção cientifica desde o descobrimento dos genes, como mostrado em filmes como Os Meninos do Brasil (1978), Jurassic Park (1993) e Gattaca (1997). Porém, com os avanços científicos dos últimos anos talvez a ficção científica se torne realidade.

 

Antes de falar sobre as técnicas mais recentes de edição genética, acho importante lembrar que os seres humanos alteram o DNA dos seres e plantas ao seu redor a milhares de anos, mesmo que indiretamente, através da seleção artificial. Isso ocorre quando ao longo das gerações nós selecionamos os indivíduos com as características que nós valorizamos para procriar. Ou seja, plantamos as sementes das frutas mais doces, escolhemos os filhotes dos cachorros mais dóceis ou dos cavalos mais rápidos para criar. Ao longo do tempo essas características são selecionadas e mudam as características do ser. Abaixo você pode ver a diferença entre as espécies silvestres e as domesticadas.

 

Ancestral X Moderno

 

Clique aqui para ver outros exemplos de comparação entre plantas silvestres x domesticadas

 

Com a descoberta da existência do DNA na década de 50 e das técnicas que permitiam a edição do código genético na década de 70, como a zinc finger e a TALEN, passamos a ter a capacidade de alterar genes diretamente. No entanto, essas técnicas eram extremamente caras, pouco precisas e não funcionavam com todos os tipo de células e seres. E é exatamente por isso que a descobertas feitas nos últimos anos são tão importantes.

 

Em 2014, pesquisadores americanos descobriram uma nova técnica de edição genética chamada CRISPR-Cas9, que utiliza uma proteína que faz parte do sistema imunológico das bactérias, que identifica e corta os códigos genéticos de vírus que tentam infecta-la, como um bisturi molecular. O que os pesquisadores descobriram é que essa mesma proteína pode ser usada para selecionar e editar qualquer código genético.

 

Isso promete mudar não só o campo de estudo das ciências biológicas, mas a sociedade como um todo. Esta nova técnica, diferentemente das anteriores, nos dá a capacidade de manipular com extrema precisão o código genético de qualquer ser vivo, com um custo muito mais baixo e com relativa facilidade ao se comparar as técnicas anteriores.

 

Os limites desta tecnologia ainda são incertos, mas de acordo com especialistas na área essa tecnologia nos permite alterar o código genético de qualquer ser que possui um DNA ou RNA, ou seja basicamente tudo que vive. Em teoria, isso nos dá a capacidade alterar características físicas, melhorar o sistema imunológico, reviver espécies extintas, erradicar doenças hereditárias e mais uma série de coisas que a uma década atrás parecia impossível.

 

Infelizmente, essa nova técnica de edição genética também pode ser usada para fins não tão nobres. Existe uma séria preocupação entre os pesquisadores com os riscos que essa tecnologia pode trazer, como os possíveis usos militares na criação de armas biológicas ou de super soldados, assim como a volta de ideias como eugenia e superioridade genética.

 

Mais uma vez, o avanço tecnologias nos dará a capacidade de manipular ainda mais o meio em que vivemos, cabe a nós decidir o como usar este poder. Caso você tenha interesse em saber mais sobre essa tecnologia,  assista no link abaixo o quarto episódio de BatPapo, em que eu falo com a Doutoranda do Instituto de Ciência Biomédicas de USP Marcela Latancia sobre a história da edição genética, o funcionamento e os possíveis usos dessa tecnologia.

 

 

O objetivo do BatPapo é abordar assuntos que muitas vezes não são explorados pela mídia convencional, ou não de uma maneira satisfatória, em um formato mais livre que permita que o convidado tenha espaço para desenvolver suas ideias. Caso você tenha interesse em continuar vendo conteúdo neste formato se inscreva no nosso canal!

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